| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Suliformes |
| Família: | Anhingidae |
| Reichenbach, 1849 | |
| Espécie: | A. anhinga |
A biguatinga é uma ave Suliforme da família Anhingidae.
Conhecido também como carará (Amazônia), calmaria (Rio Grande do Sul), maria-preta (Ceará) peru-d'água, mergulhão-serpente, biguá-bicolor, anhinga, arará, meuá, miuá e muiá.
Seu nome científico significa: do (tupi) anhinga = cabecinha. ⇒ Ave com cabeça pequena.
Mede cerca de 88 centímetros de comprimento, pesa de 1,2 a 1,35 quilograma e sua envergadura atinge cerca de 120 centímetros.
Ave aquática, lembra o biguá, mas apresenta asas esbranquiçadas (em tupi, “biguatinga” significa “biguá branco”). Apresenta o pescoço fino e muito longo (20 vértebras), tipicamente angulado medialmente. Bico longo, muito pontiagudo, em forma de punhal e serrilhado, próprio para fisgar peixes. Cauda longa, de forma espatulada e com estrutura peculiar, pois as retrizes são rígidas e onduladas transversalmente lembrando uma chapa, que é útil para reforçar as penas que servem de leme quando nada abaixo d’água. Pés com membranas natatórias. Não possui glândula uropigiana, sendo assim, suas penas não são impermeáveis como as dos patos e não segregam óleo que mantenha a água à distância. Em consequência, as penas podem armazenar quantidades de água que provocam a má flutuação do animal. Esta característica é, no entanto, uma vantagem, visto que permite um mergulho mais eficiente debaixo de água. Tal como os outros membros da família Anhingidae, caça durante mergulhos em que fica totalmente submerso. Negro, apresenta rico desenho branco sobre as asas e a ponta da cauda clara (creme-acinzentada). Apresenta dimorfismo sexual, sendo que a fêmea difere do macho pela cor creme no pescoço, peito e dorso. O macho apresenta uma crista negra e tem cores mais vivas. Imaturo de dorso pardo, quase não possuindo branco nas asas e de bico amarelo
Possui duas subespécies reconhecidas:
Aves Brasil CBRO - 2015 (Piacentini et al. 2015); (Clements checklist, 2014).
Alimenta-se de peixes, anfíbios, cobras-aquáticas e outros organismos aquáticos em mergulhos longos. Captura sua presa dardejando-a com seu afilado bico semiaberto, à semelhança de uma “fisga”, mas não a retém entre a maxila e a mandíbula serrilhada. A anatomia singular de seu pescoço permite-lhe dar botes rápidos e vigorosos como o de uma cobra, espetando lateralmente os peixes com segura punhalada. Mais do que para a pesca, as serrilhas do bico se prestam para lidar com suas presas escorregadias após a captura. Trepa através da ramagem que se encontra sobre a água calma ficando à espera de insetos aquáticos, crustáceos etc., que apanha com rápido bote, com o bico, sem deixar o poleiro. Mergulha destes postos na perseguição de peixes, propele-se com os pés, às vezes abrindo as asas durante a perseguição, mas jamais rema com elas. Para engolir a presa vem à tona, desprendendo-a através de sacudidelas verticais da cabeça e engolindo-a em seguida.
É monogâmica e o mesmo ninho pode ser aproveitado pelo casal nos anos posteriores. Faz o ninho sobre árvores em pequenas colônias, às vezes entre colônias de garças e biguás. O ninho é confeccionado pela fêmea, mas é o macho quem escolhe e traz o material. A fêmea constrói o ninho tecendo gravetos trazidos pelo macho, preenchendo com galhos vivos e folhas verdes. O ninho é geralmente construído em um ramo pendendo sobre a água ou em áreas abertas nas copas das árvores. A cópula é realizada no ninho e a fêmea põe geralmente 3 a 4 ovos azulados ou brancos, com um intervalo de 1 a 3 dias entre uma postura e outra. O macho auxilia na incubação, que dura entre 25 e 30 dias. Chocam colocando os pés por cima dos ovos. Normalmente, os machos são altamente territoriais e defendem quaisquer ameaças ao território de nidificação com extensas exposições e até mesmo lutando. Quando ameaçados, os filhotes de plumagem alva podem se lançar à água abaixo do ninho (a uma altura de 4 a 6 metros), fugindo em mergulho. O filhote é alimentado por ambos os pais. Geralmente encontrado aos casais na época reprodutiva e em bandos ou misturados aos biguás, em outros períodos.
Vive à beira de rios e lagos orlados de matas. Prefere águas interiores com farta vegetação marginal e árvores com troncos secos, sendo mais raro na orla marítima. Quando não pesca, nada devagar, deixando emerso apenas um pouco do pescoço e a cabeça, ou somente a cabeça, que é tão estreita que parece continuação do pescoço, dando a impressão de ser uma cobra d’água; quando nada nessa posição mantém o bico levantado quase na vertical. Foge do perigo mergulhando. Empoleirado permanece frequentemente de asas abertas, impressionando então o tamanho e a forma côncava das mesmas. A razão para esticar as asas provavelmente é tripla: (1) secar as asas, (2) acumular calor em horas de temperatura baixa e (3) livrar-se do excesso de calor. Pousa sobre as árvores secas. Voa alternando batidas de asas com planeio. Paira a grande altura, sua silhueta então assemelha-se a uma delgada cruz negra, impressionando a longa cauda. Grasna de pescoço esticado exibindo seu saco gular amarelo. Ocorrem migrações locais dentro da Amazônia.
Vocalização: um grasnado.
Status de conservação: LC ( IUCN ).
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: